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ViraVida forma 11 turmas no DF e muda a vida de centenas de jovens

“O ViraVida na minha vida foi mudança total, eu era uma pessoa sem sonho, que não se importava com estudos, que não tinha nenhuma expectativa de futuro. Ele trouxe pra mim a segurança de poder sonhar, pensar e ir em busca daquilo que eu quiser”, contou a jovem Maria (nome fictício), de 17 anos. Ela é um dos quase 500 alunos que já foram atendidos pelo ViraVida, no Distrito Federal. No dia 29/03, às 16h, no Centro Cultural Sesi, será a formatura de mais 70 jovens que fizeram parte da 11ª turma do programa.

O ViraVida, desenvolvido pelo Serviço Social da Indústria do Distrito Federal (Sesi-DF), tem como objetivo resgatar jovens em situação de risco e vulnerabilidade social. Criado em 2008, pelo Conselho Nacional do Sesi, o ViraVida foi implementado no DF em novembro de 2009.

A 11ª turma do ViraVida trabalhou com jovens, divididos em quatro classes: duas pela manhã e duas à tarde. A qualificação profissional foi composta por três módulos: Informática Básica, Auxiliar de Design e Lego, ofertados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Distrito Federal (Senai-DF). Já por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), alguns jovens puderam concluir a capacitação de Assistente Administrativo, Auxiliar Administrativo e Recepcionista. Além das capacitações, todos os jovens recebem aulas de reforço nas disciplinas de português e matemática, e participam do módulo de atividades voltadas para o desenvolvimento humano, que inclui roda de terapia comunitária, vivência de resgate da autoestima, projeto de leitura, adolescentes em ação e projeto conviver.

O foco do ViraVida é transformar a realidade de crianças e adolescentes, entre 14 e 21 anos, em especial, aqueles que sofrem violência sexual. Por meio da educação profissional, o jovem tem a possibilidade de superar os problemas sofridos, continuar os estudos e se qualificar profissionalmente, o que gera uma grande mudança de vida nos participantes.

Para a coordenadora do projeto, Cida Lima, além de garantir os direitos de cada indivíduo, o programa também cria condições necessárias para que os jovens desenvolvam carreiras e alcancem autonomia. “O ViraVida é um processo de valorização do indivíduo. Nós o acolhemos e entendemos os seus problemas e necessidades, de forma a oferecer as melhores oportunidades possíveis para que eles enxerguem o potencial que têm e passem a voar”, explica.

História de superação

A jovem Maria foi encaminhada ao ViraVida por meio de um acompanhamento realizado no Hospital de Ceilândia. Ela entrou no programa em 2015 e participou da 9ª turma do ViraVida no DF. Durante os doze meses de participação, ela teve a oportunidade de fazer três cursos profissionalizantes e conseguiu um estágio como menor aprendiz na Defensoria Pública, onde trabalha até hoje. “A partir do ViraVida, eu aprendi a engatinhar e, agora, eu consigo caminhar por conta própria. Mesmo depois de um ano que eu conclui as aulas, o programa continua me acompanhando. É um projeto que não só ensina, ele ajuda, ele acompanha, ele está presente”, relata Maria*.

Segundo Maria, o ViraVida mudou o destino e o futuro de toda a família. Isto porque, antes dela, os dois irmãos mais velhos também precisaram de ajuda e encontraram, no programa do Sesi, o acompanhamento necessário para mudar de vida. “O ViraVida é a paixão da minha mãe. Nossa família toda é muito agradecida. Para nós, em primeiro lugar, é Deus. Em segunda lugar, está o projeto”, conta emocionada.

Maria ainda quis deixar um conselho para outros jovens que passam por momentos de dificuldade como ela passou. “Dizem que a gente só sabe daquilo que a gente vivencia. Eu passei. E quem melhor para tentar ajudar o próximo do que quem viveu aquilo”, afirma. Ela aconselhou que as pessoas que estão em situação de vulnerabilidade social procure ajuda e, principalmente, não se deixe abater por uma tristeza. “Sonhar é preciso. Ter experiência é importante. E acreditar em um dia melhor é mais do que necessário”, finaliza Maria*.

Rede de enfrentamento

A indicação para participação no ViraVida é feita por meio da Rede de Enfrentamento, composta por instituições como Conselhos Tutelares, Centros de Referência de Assistência Social (Cras-DF) e Organizações Não Governamentais. Em parceria com o Sesi, esses órgãos são responsáveis por avaliar e fazer o processo de inserção dos jovens no programa.

Os interessados em participar do ViraVida precisam fazer várias avaliações, como dinâmicas de grupo, vivências de autoestima, noções de português, além de uma entrevista individual. Depois da inserção dos jovens, eles participam efetivamente das atividades do programa que são compostas por qualificação profissional e aulas do processo educacional.

Durante todo o projeto, os alunos são avaliados com base em critérios, como assiduidade e pontualidade e, de acordo com os resultados, serão indicados aos parceiros para possíveis inserções no mercado profissional.

Texto: Aline Reis
Foto: Cristiano Costa/Sistema Fibra
Assessoria de Imprensa do Serviço Social da Indústria do Distrito Federal (Sesi-DF)