Notícias > Notícias
Indústrias do DF ainda não sentem o racionamento, mas temem continuidade da interrupção de água

Pesquisa inédita encomendada pela Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra) revela o impacto do racionamento de água no setor industrial brasiliense. A grave crise hídrica enfrentada na capital federal levou o Governo de Brasília a adotar, em janeiro, um rodízio que alterna o corte de água por um dia a cada seis em todas as regiões administrativas do DF. O levantamento feito pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL-DF), com 114 empresas de todos os portes, mostra que a grande maioria das indústrias ainda não foi afetada por problemas relativos ao racionamento, contudo há evidente preocupação dos empresários brasilienses quanto aos reflexos negativos no processo produtivo, caso haja continuidade de interrupção no fornecimento de água.

O parque fabril local utiliza menos de 1% da água consumida no DF. Mesmo assim, 61,4% dos empresários informaram utilizar a água no seu processo produtivo. Segundo a pesquisa, 44,2% dos respondentes têm a produção prejudicada pela interrupção no fornecimento de água. Destes, 31,9% que se sentem apenas prejudicados. Uma parcela menor, 5,3% dos entrevistados dizem que precisam parar a produção no momento da interrupção da água. Para 4,4%, a situação é mais delicada: afirmaram que não só a produção é prejudicada como precisa ser paralisada e demora bastante tempo para ser retomada. Apenas 1,8% das empresas informou que a produção é prejudicada e acarreta grandes perdas. A maior parcela pesquisada (55,8%), no entanto, afirmou não ter sua produção prejudicada.

Com relação ao impacto do racionamento de água sobre o faturamento das empresas, 33,6% informaram que sim, há impacto. Destes, 42,1% disseram que seu faturamento foi afetado num nível baixo, de 0,5% até 1%. Outra parcela (23,7%) destacou que teve queda mediana no faturamento, entre 1% e 2%. Já 13,2% das empresas tiveram alto impacto no faturamento, em mais 5%.

O levantamento também apurou se houve necessidade de dispensar funcionários nos dias de racionamento. A grande maioria dos entrevistados (86,8%) relatou que não precisou dispensar os empregados nos momentos em que houve o corte da água. Contudo, 9,6% dos empresários afirmaram ter dispensado parte do corpo de colaboradores, enquanto 3,5% tiveram que liberar todos os seus funcionários. Na análise por porte, essa necessidade ainda não existiu em 57,9% das MPEs, seguidas das Médias (23,7%) e das Grandes (5,3%).

Grande parcela das empresas industriais do DF (74,6%) também disse possuir caixa d’água. As 25,4% restantes afirmaram não possuir reservatórios de água. Já aquelas que afirmaram ter fonte alternativa de abastecimento – que só compreende 13 empresas das 114 pesquisadas, citaram possuir poço artesiano (61,5%) e cisterna/poço (23,1%) para atender as necessidades de água do próprio negócio.

Considerando a continuidade do racionamento de água no DF, a pesquisa traça as perspectivas do parque fabril do DF quanto aos possíveis reflexos no processo produtivo.  Neste caso, 51,8% dos respondentes consideram que sim, as empresas podem ser afetadas de forma mais intensa em todo processo produtivo. Também fazendo a análise por porte, essa é uma preocupação de 31,6% das MPEs, seguidas das Médias (14,9%) e Grandes (1,8%) – quanto maior o porte da empresa, menos dependentes elas são do abastecimento da Caesb. Outros 48,2% acreditam que não haverá alteração em seu chão de fábrica, caso haja continuidade no corte de água.

Perfil da amostra 

A pesquisa realizada pelo IEL-DF ouviu, entre fevereiro e março, 114 empresas de todos os portes: Micro e pequenas (até 49 empregados); Médias (de 50 a 249 empregados); e Grandes (com 250 ou mais empregados). Além disso, foram consultadas empresas de nove setores industriais. São eles: Alimentação e Bebidas; Beneficiamento, Moagem, Torrefação e Fabricação de Produtos Alimentares e de Origem Vegetal; Metal Mecânica; Madeira e Mobiliário; Construção Civil; Edição e Impressão; Tecnologia da Informação e Comunicação; Reparação ou Manutenção de Máquinas, Aparelhos e Equipamentos Industriais, Elétricos e Eletrônicos; Vestuário e Acessórios do Vestuário.

Considerando a possibilidade da continuidade do racionamento pelo Governo de Brasília, tendo em vista que o principal reservatório do DF, o Descoberto, chegou a atingir 18,7% em 2017, o mais baixo nível da história –  nova pesquisa será realizada ainda no mês de maio.

Diante desse quadro, a Fibra iniciou, em outubro de 2016, campanha com vistas a incentivar o uso racional da água. O objetivo é sensibilizar o setor industrial, assim como ao corpo de funcionários das Casas que integram o Sistema Fibra (Fibra/Sesi/Senai/IEL-DF) a reduzir o consumo e, principalmente, a estender essa prática junto às famílias e comunidades, propagando a cultura do uso racional desse bem que é renovável, porém não infinito.

Texto: Suzana Leite
Foto: Cristiano Costa/Sistema Fibra
Assessoria de Imprensa da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra)