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Pequenas e médias empresas debatem inclusão na Indústria 4.0 em todo o Brasil
O evento Desvendar 4.0 foi promovido pelo SENAI e teve participação das 27 unidades da federação. Uma cartilha foi lançada com os cinco passos para as empresas entrarem na quarta revolução industrial
                     Todas as unidades da federação participaram do evento promovido pelo SENAI

Pequenas e médias indústrias de todo o Brasil participaram, nessa quarta-feira (12), do Desvendar 4.0, evento realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). O objetivo foi mostrar que a inclusão na quarta revolução industrial é acessível a empresas de todos os portes. Com workshops, palestras e mesas redondas, especialistas mostraram que as tecnologias digitais estão disponíveis também para pequenos e médios empresários, com baixo investimento e ganho de produtividade. Estudos da consultoria McKinsey apontam que os ganhos em produtividade com uso de novas tecnologias digitais podem chegar a 26%.

Federações das Indústrias de norte a sul do país participaram do evento e montaram programações especiais. Em Sergipe, o evento ocorreu em Aracaju. Os empresários participaram de um debate e contaram um pouco das suas experiências de inserção na indústria 4.0. Um exemplo é o da empresária Clarice Tavares, da confeitaria Doce Lembrança. “Este evento é importante para a gente abrir cada vez mais a mente e estar sempre aprendendo e buscando coisas novas. Com o pontapé inicial do Brasil Mais Produtivo abriu-se um mundo novo para mim e tenho aplicado na empresa. As mudanças foram muito significativas’’, destacou a empresária.

Em Pernambuco, o Desvendar contou com a palestra magna do presidente do Conselho de Administração do Porto Digital, Silvio Meira, pesquisador do Instituto SENAI de Inovação em Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). “A transformação digital é uma necessidade do novo comportamento das pessoas. Quem não estiver inserido perderá oportunidades”, disse. A palestra foi retransmitida por outras unidades do SENAI, como do Piauí e do Distrito Federal.

Ainda durante o evento no Recife, participaram de uma mesa-redonda o gerente-executivo de Inovação e Tecnologia, Marcelo Prim, e o gerente executivo de Educação Profissional e Tecnológica, Felipe Morgado, ambos do SENAI nacional; representantes das empresas Reciclapac e Docile; e o diretor do Instituto SENAI de Inovação em TIC, Sérgio Soares. Em parceria com a Ekäut, o Instituto lançou oficialmente uma plataforma de internet das coisas construída com base em uma chopeira robotizada: a Chopeira 4.0.

                Duas cidades gaúchas discutiram a importância do acesso das empresas às tecnologias

VISÃO HOLÍSTICA – Em Santa Catarina, o engenheiro alemão Johannes Klingberg, diretor executivo da Associação de Engenheiros do Brasil e Alemanha, apresentou as diretrizes do movimento de implantação da indústria 4.0 e traçou um paralelo sobre o processo nos dois países. “Entender as diferenças neste caminho que a indústria brasileira começa a percorrer é essencial, principalmente no sentido de que se trata de um conceito de gestão em que se busca mais qualificação com ganhos de tempo e agilidade. Isso passa pela preparação e evolução do colaborador e pela necessidade de que a indústria trate o assunto dentro de uma visão holística e não como um projeto de TI”, frisou.

No Rio Grande do Sul, o evento ocorreu em Caxias do Sul e em São Leopoldo. Em São Leopoldo, foram relatados cases de empresas de vários portes. Ariberto Wagner, sócio da Metalsinos, de Araricá, contou que o SENAI fez um diagnóstico de eficiência na empresa que gerou uma redução de 40% no custo da energia elétrica. O analista de Sistema de Produção Bruning, Giovani Locatelli, afirmou que, com o conhecimento do SENAI, houve uma melhoria nas ferramentas de trabalho. “Com o software pudemos identificar e comprovar melhorias para chegarmos na produtividade ideal. E o trabalho poderá ser levado também para outras células da empresa”, destacou. No Acre, um dos participantes foi o empresário do setor de alimentos e bebidas e especialista em engenharia mecatrônica Francisco Souza dos Santos Júnior, segundo o qual a Indústria 4.0 ainda é um conceito que está chegando ao país.

No Pará, os participantes contaram com mesa redonda, palestras e workshops tecnológicos voltados a mulheres, pessoas com mais de 40 anos e adolescentes. Assim, os participantes puderam sentir, na prática, como ocorre o processo de automação de uma empresa, como programar um circuito de robótica e como controlar uma indústria a quilômetros de distância por meio de aplicativos.

A pedagoga Quezia Alencar participou com as duas filhas do workshop Teen-Tech, voltado ao público adolescente, e também se envolveu. “Minhas filhas praticamente já nasceram neste ambiente e eu sei que preciso imediatamente me inserir, pois já estamos vivendo esta nova revolução. Hoje com certeza quem aprendeu mais fui eu”, comenta a pedagoga. “O que eu mais gostei foi de entender como se montam os robôs e como ele pode ser útil em nosso dia a dia”, complementa Ester Alencar, de 9 anos, filha de pedagoga, que sonha ser astrônoma.

 Silvio Meira faz palestra sobre inovação, em Pernambuco

Durante o evento, o SENAI lançou um guia com cinco passos que as empresas devem seguir para se inserir na Indústria 4.0.  A recomendação é que, em primeiro lugar, os empresários organizem seu sistema produtivo para desperdícios por meio de ferramentas como o lean manufacturing. Em seguida, a orientação é instalar sensores nas principais linhas de produção e capacitar funcionários para analisar as informações geradas pelos equipamentos. Ter profissionais qualificados é o ponto-chave para as empresas que vão adotar tecnologias digitais. Eles serão responsáveis, por exemplo, por tomar decisões estratégicas a partir das informações geradas.

Os próximos estágios recomendados pelo guia são tornar visíveis em nuvem os dados produzidos pelos sensores e integrá-los aos indicadores da empresa; introduzir tecnologias como big data e inteligência artificial e utilizar esses recursos para responder de forma rápida e flexível às demandas dos clientes.