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BOA PRÁTICA: Observatório FIESC é referência no monitoramento da COVID

Presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar. Foto: Marcos Campos

Logo que o Governo de Santa Catarina decretou Estado de Calamidade pública por conta da pandemia da COVID-19, a Federação das Indústrias de Santa Catarina – FIESC – iniciou o monitoramento e o tratamento de dados sobre contaminações pelo vírus no setor.

A intenção era subsidiar gestores das empresas catarinenses em suas ações e decisões. O projeto, no entanto, tomou proporções maiores e está sendo acessado por gestores de todo o país, ampliando para outros setores da economia. A FIESC estabeleceu-se como referência na divulgação de boas práticas, dicas de prevenção da contaminação entre os trabalhadores e para a recuperação das empresas.

Na entrevista abaixo, para o Conselho Nacional do SESI, o presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, explicou a estratégia utilizada na recepção e no estudo das informações no Observatório da Federação. Também comentou os resultados e amplitude do trabalho realizado.

  1. Quando começaram a monitorar a contaminação por coronavírus na Indústria?

No dia 18 de março, um dia após o governo de Santa Catarina decretar o isolamento, foi instituída a central de suporte à indústria, com seis áreas prioritárias: questões jurídicas, saúde e segurança, gestão de pessoas e processos, importação e exportação, suporte a pais e alunos e suporte a vacinas. O objetivo: monitorar e orientar as indústrias por meio do site do Observatório FIESC.  Na sequência, outras seis áreas foram implementadas: linha de crédito, produção de EPIs, indicadores e análises, repositório de boas práticas e o Fundo Empresarial para Reação e Articulação, o Fera SC.

  1. Quantas pessoas estão envolvidas no trabalho de monitoramento da COVID? Como é a rotina de busca por dados? 

Temos pelo menos 25 pessoas na linha de frente dando suporte a estas áreas prioritárias e dezenas participando indiretamente.

  1. E como a Indústria tem se saído no desafio de manter-se ativa, e, ao mesmo tempo, ter cuidado com a saúde do trabalhador?

O atendimento e a orientação à indústria são algumas das nossas frentes de atuação no enfrentamento à pandemia. Isso ocorre por meio do Protocolo Corona, um conjunto de serviços que visam reforçar ainda mais o papel de protagonismo das indústrias no enfrentamento do coronavírus. O objetivo é ajudar a indústria a traçar um plano de ação para reduzir a propagação da doença, com medidas como a adoção de equipamentos e sistemas adequados de proteção dos indivíduos, dos ambientes, além da realização de testes e o monitoramento da saúde por meio de um software.

  1. Entre as estratégias de enfrentamento em todo o país, há alguma iniciativa que tenha se destacado das demais?

O CoronaDados, um software gratuito que desenvolvemos aqui em Santa Catarina, é uma importante ferramenta para monitorar a evolução do coronavírus. A plataforma é abastecida por dados informados pelos próprios trabalhadores, que respondem diariamente se apresentam ou não sintomas relacionados à Covid-19. Os líderes das equipes podem checar no sistema se os colaboradores já responderam à pesquisa e, assim, ampliar o engajamento com a ferramenta. Com base nestas informações, as equipes de saúde e segurança do trabalho das indústrias podem agir, promovendo o isolamento preventivo, testes e ações de higienização do ambiente. O sistema permite acompanhar o tempo de recuperação dos infectados e contribui para o chamado “achatamento” da curva de contaminação. Atualmente, temos 37 mil pessoas cadastradas para monitoramento diário com o software que é utilizado por mais de 450 empresas. A ferramenta também está sendo utilizada por indústrias do Mato Grosso e terá forte ampliação por meio do Conselho de Federações Empresariais de Santa Catarina, pois passará a ser empregada também nos demais setores da economia do estado, como comércio, serviços, transportes e agricultura.

 

  1. O Observatório da FIESC foi usado como norte para projetos importantes, como o exemplo do “Trabalho Seguro”, desenvolvido pela FIEMT. Outros Estados utilizaram esses dados como referência para projetos de prevenção ao vírus?

Desde o início da pandemia até agora, foram mais de 76 mil acessos ao site do Observatório. O SENAI disponibilizou em conjunto com o CETIQT do Rio do Janeiro todas as fichas técnicas e suporte para a produção de EPIs em indústrias locais. Várias federações seguiram o modelo catarinense, que utilizou o Observatório e a competência técnica do SENAI para mobilizar a indústria para rapidamente ativar a produção de EPIs.

 

  1. Quais outros resultados importantes foram gerados a partir do monitoramento da COVID feito pela FIESC?

Desde março, a FIESC não tem medido esforços para auxiliar indústrias e trabalhadores a vencer os desafios deste momento. São diversas frentes de trabalho, que envolvem medidas de saúde e segurança, como o Protocolo Corona e o CoronaDados; o Fundo Fera, que já viabilizou a compra de insumos essenciais para a saúde pública; o conserto de respiradores, feito aqui pelo SENAI em Joinville; o estímulo à produção nacional de respiradores; entre tantas outras ações.

O Programa Travessia é outra iniciativa importante. Como o próprio nome diz, ele é pensado para ajudar empresas e, claro, o estado, a atravessar esse período de crise. É uma proposta que vai atuar em quatro frentes: reinvenção da indústria e da economia, investimento em infraestrutura, atração de capital e ambiente institucional. E o objetivo central é posicionar Santa Catarina como referência em desenvolvimento e crescimento sustentável.

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Os dados completos estão disponíveis no site www.observatoriofiesc.com.br, assim como as boas práticas do setor.